terça-feira, 3 de agosto de 2004

DEBATES COM CANDIDATOS CONTINUAM EM SANTARÉM

A convite da Federação do PS do Distrito de Santarém, têm os candidatos a Secretário-geral do PS, passado por Santarém, afim de dar a sua visão aos militantes e ao Distrito, da importância da sua eleição.

O ciclo de debates começou com o Engº José Sócrates, na Terça-feira passada, com sala cheia, na casa do Brasil, continuando na Sexta-feira, dia 30, com o Dr. Manuel Alegre, que também conseguiu mobilizar a grande assistência que o ouviu. Terminou nesta Terça-feira, dia 3 de Agosto, este ciclo de debates, com a presença do Dr.João Soares.

Neste artigo pode ler os resumos de João Soares e de Manuel Alegre
(actualizado em 4/Agosto)

RESUMO DO DEBATE COM MANUEL ALEGRE - dia 30/Julho

Na Sexta-feira, Manuel Alegre, tido como o mais veterano dos candidatos, pelo facto de ter sido uma das primeiras vozes do PS ainda na clandestinidade, assumiu que a sua candidatura surge num momento crucial para o partido "por imperativos éticos e de justiça", tendo desenhado um paralelismo com a atitude de coragem e responsabilidade de homens como Salgueiro Maia, a quem Portugal tanto deve.

Manuel Alegre afirmou "que se não me candidatasse neste momento, não estaria a ser honesto com o meu precurso de vida", aduzindo a razão fundamental por que o faz, "Ajudei a fazer este Partido e tal como ele está teria hoje dúvidas em me integrar nele". Com tal afirmação, Manuel Alegre justifica a sua preocupação: "Não queremos que o PS seja um PSD2", defendendo que "Se não houver uma alternativa clara, entramos em MELANCOLIA DEMOCRÁTICA" e que "As pessoas precisam de saber que o seu voto conta para alguma coisa".

Na reafirmação ideológica da nova esquerda que age, Manuel Alegre assumiu que "se o Capitalismo mudou, o Socialismo tem de mudar!" e que "Ser Socialista Moderno, não é ter vergonha da palavra socialismo".

A aposta no ESTADO ESTRATEGA, é para o candidato Manuel Alegre, a assumpção da ética republicana do serviço público, onde a função do Estado não seja só reguladora, mas também promotora de serviços públicos de qualidade e inovação, numa clara aposta em POLÍTICAS com CONTEÚDO SOCIAL.

O candidato que é apoiado por muitos dos dirigentes Distritais do PS, do Secretariado, Comissão Política, por todos os Deputados do distrito de Santarém e pelo Presidente da Concelhia de Tomar, assumiu que "o Socialismo nasceu para mudar a sociedade" e não "como o actual Governo de direita, que mais parece o Conselho de Administração dos grandes interesses, que se alimentam da sociedade".

Sem papas na língua, as "farpas" de Manuel Alegre continuaram: "Eu não estou aqui pelo passado, mas sim pelo futuro - temos que renovar o Partido, criando estruturas de acolhimento a quem de nós se aproxima e responder com clareza à pergunta que se faz: Como é que participo?", propondo uns ESTADOS GERAIS em PERMANÊNCIA, para ouvir a sociedade.

Manuel Alegre foi determinado ao afirmar que "não se combate a direita a imitar a direita e com vergonha de sermos aquilo que somos" e que "TEM QUE HAVER ALTERNÂNCIA, mas com ALTERNATIVA".

A confiança num mundo melhor passa, para o candidato, pela independência real do poder político em relação ao poder económico, assumindo que se avança para "Garantir a identidade do Partido!".

Para Manuel Alegre "a defesa do modelo social europeu é uma aposta que os socialistas portugueses não podem perder, ao contrário do Sr. Barroso, quew representa os interesses americanos na europa, para a destruir.".

Sobre a estratégia do PS, Alegre defende que este deve concorrer sozinho, lutar pela maioria que lhe permita governar, mas não ter vergonha de assumir que a estabilidade governativa não é só apanágio da direita, aceitando que o PS, sem maioria, se alie à esquerda para Governar Portugal em nome dos valores que defende.


RESUMO DO DEBATE COM JOÃO SOARES - 3/Agosto

Soares Defende Fim de Off-shores, Incluindo o da Madeira

O candidato a secretário-geral do PS, João Soares, esteve anteontem (Terça-feira) em Santarém, na Casa do Brasil, para apresentar a sua candidatura a convite da federação.

Procurou marcar a diferença para as outras candidaturas lembrando a "obra feita" na cidade de Lisboa e deixou pistas sobre como se comportaria um governo liderado por si.

Na linha das suas posições sobre um Partido Socialista "sem vergonha" de o ser, aquele dirigente assumiu o compromisso de lutar contra os paraísos fiscais na Europa. "Eu garanto-vos que se for eleito [primeiro-ministro] teremos um ministro das Finanças que irá ao ECOFIN propôr que a UE acabe com as off-shores. E Portugal saberá dar o exemplo, acabamos com o off-shore do Alberto João Jardim." A proposta de Soares foi a de encerrar todos esses locais na Europa, ao mesmo tempo, que a UE a pressionava o mundo a tomar uma atitude semelhante.

A estratégia do candidato foi, no entanto, a de usar "obra feita" como autarca para se apresentar como o mais preparado para governar.
Numa comparação com o primeiro-ministro, Santana Lopes, o dirigente recordou ter sido no seu mandato que se fez "o maior túnel do Continente, na avenida João XXI, em menos de dois anos".

Referiu também a erradicação dos bairros de lata. "Até eu ser presidente da câmara toda a gente tinha planos para o Casal Ventoso. A diferença está entre quem na Constituinte defendeu o direito sagrado à habitação e quem construiu casas para pessoas".

Soares frisou ainda a capacidade de congregar junto de si pessoas que iam além do espectro socialista. A propósito do Casal Ventoso, lembrou a instalação no bairro do Cabrinha da associação Ajuda de Berço para sublinhar que trabalhara até com "umas senhoras queques de Cascais mas com um trabalho notável".

Até na forma de estar na política, tentou marcar a diferença. Pina Moura, apoiante de José Sócrates, era o exemplo a não seguir. "As pessoas que fazem política não estão nos negócios, tem de haver aqui uma lógica de ética republicana. Eu tenho estima pelo Pina Moura mas é inaceitável que três anos depois - que é o limite legal - de ter decidido a privatização da Petrogal vá para a presidência de uma das empresas com quem negociou."