sexta-feira, 24 de setembro de 2004

CONCURSO DE PROFESSORES E EDUCADORES - 2004/2005

«TEMPORARIAMENTE INDISPONÍVEL. PEDIMOS DESCULPA PELO INCÓMODO.»

São estas as frases que cerca de 50 000 professores mais leram nos últimos tempos em que indefinidamente aguardam pelos resultados «definitivos» de um Concurso de que não há memória. As cerca de 30 000 reclamações a que a anterior publicação das listas deram origem comprovavam uma dimensão de erros que pareciam ficar sem rectificação, persistindo ainda hoje a incapacidade de regularizar as situações e colocar os professores.

A Federação do PS de Santarém está indignada e lamenta toda esta « novela» que seria triste se fosse ficção mas que passa a ser dramática porque é real, afectando milhares de professores e alunos e respectivas famílias.

Mais de 50% dos Estabelecimentos de Ensino reconheceram e bem que não estavam reunidas as condições para que o ano lectivo iniciasse com a normalidade necessária. Os que assim não pensaram garantiram a abertura dos respectivos estabelecimentos mas o início das actividades lectivas está comprometido considerando a mobilidade de docentes que os resultados das colocações vão originar. Os alunos são recebidos por muitos professores provisoriamente pois assim que tiverem a sua colocação definitiva partem para a respectiva escola.

É verdade que a Srª Ministra teve uma herança «envenenada» do seu antecessor David Justino que em conjunto com a sua equipa vai ser recordado como o Ministro que mais mal fez à Educação. Supostamente seria difícil fazer tanto mal em tão pouco tempo de permanência no Ministério. Mas também é verdade que a actual Ministra tinha por obrigação saber o que a aguardava quando assumiu as responsabilidades ao aceitar ser Ministra da Educação deste (Des) Governo.

Deve agora contribuir para a resolução do problema urgentemente. Exigimos que finalmente saiba avaliar a situação e que respeite os portugueses, avançando com datas que tenha a certeza que vai cumprir. Como é possível não ter já assumido posições públicas de transparência continuando a manter a data limite de abertura do ano lectivo para o dia 23 de Setembro quando a 21 de Setembro o porta voz do Mistério diz « não se quererem comprometer com nova data » para os resultados do Concurso. Só depois do Ministério cumprir o seu trabalho há condições para as escolas assumirem o arranque das actividades lectivas.

Grave também é o facto de escolas, professores e famílias terem conhecimento da evolução dos acontecimentos apenas através da comunicação social.

Como se não bastassem equipas Ministeriais incompetentes, Modelos de Concurso mal implementados, Programas Informáticos ineficazes e uma deficiente operacionalização de todo o sistema temos ainda que enfrentar os retrocessos que se dão na imagem da escola e dos professores. Como estão os alunos e as respectivas famílias a avaliar este caos?

Mais importante do que procurar pôr já cabeças a rolar e arranjar bodes expiatórios, é resolver os problemas e levar as conclusões do Inquérito que ainda está a decorrer até às últimas consequências com o apuramento das responsabilidades técnicas e políticas e respectivas penalizações, seja a quem for.

A sociedade precisa de Escolas e de Educação com qualidade. Precisamos de vários parceiros que se envolvam para o conseguirmos mas também precisamos de um Ministério que contribua para esse objectivo e que não nos arraste na ângústia e no desânimo para o último lugar dos países da União Europeia.