quinta-feira, 20 de outubro de 2011

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Que esperança no futuro tem um jovem quando é confrontado com a proposta de OE2012?

O OE para 2012, aprovado na semana passada em sede de Conselho de Ministros, veio onerar, ainda mais, a população portuguesa.

Os jovens não são excepção. Que mensagens passou este OE? Primeiramente, ele veio condicionar em muito a possibilidade de emancipação. Com este cenário macroeconómico, fiscal e laboral, os jovens terão cada vez mais dificuldade em construir "o seu caminho", a sua vida. Cortes nos salários, nos apoios estatais e aumento dos impostos são um caminho perigoso para a "regularização" do deficit. Mas será que podemos olhar para este problema, e para as suas soluções, apenas e só numa perspectiva puramente "matemática"? 

Eu penso que não! A política não pode ser gerida unicamente por números. A política deve ser centrada nas pessoas e no futuro. E é aí que devemos apostar! Será que cortar financiamentos ao ensino público é o caminho para "desenvolver o país"? Será que cortar nos incentivos ao arrendamento e ao empreendedorismo jovem é dotar o país de mecanismo de futuro? 

Durante todo o meu percurso académico, deparei-me com o seguinte pensamento: a melhor maneira de potenciar o desenvolvimento de um país, e de aumentar a sua mobilidade entre classes, é apostar no ensino público e de qualidade! Esta estratégia é defendida por inúmeros pensadores dos mais variados quadrantes ideológicos! Mas este governo é "original": corta nos subsídios às escolas públicas, aumentando o financiamento das escolas privadas. Este é um grave precedente.

Como se sentirá um jovem perante este cenário? Desiludido, enganado, frustrado, sem esperança...muitos são os adjectivos que poderíamos usar. Com menos ensino público, com menos incentivos à emancipação (num sentido lato) e com maior carga fiscal, os jovens pouco conseguirão alcançar! Infelizmente, iremos assistir a uma proliferação dos recibos verdes, dos trabalhos precários e, acima de tudo, a um aumento do sentimento de desconfiança e de medo face ao futuro!
É aqui que o Partido Socialista, e a Juventude Socialista, devem intervir! Tal como António José Seguro afirmou: podemos estar comprometidos com o memorando da Troika, mas não estamos comprometidos com os caminhos para o cumprir! Temos de defender a nossa matriz: pugnar pelos serviços públicos, lutar pela dinamização da nossa economia e dar especial atenção ao futuro e aos jovens. Um caminho de esperança para um horizonte melhor só pode ser trilhado com incentivos à emancipação total dos jovens, dando-lhes oportunidades, e não sucumbindo à política dos números!
 
Tiago Preguiça
Coordenador Concelhio da JS Santarém.