quarta-feira, 11 de julho de 2012

Deputados levam preocupações da Saúde no Médio Tejo

Os três deputados socialistas eleitos por Santarém, António Serrano, Idália Serrão e João Galamba, realizaram reuniões de trabalho em Tomar, na 2fª dia 9 de Julho de 2012, sobre as preocupações atuais da saúde no Médio Tejo, e recolheram desta forma contributos para o debate do Estado da Nação.

Em geral foi apurado que estão em curso iniciativas que visam reduzir custos em todas as áreas da saúde, ao contrário das taxas moderadoras onde se verificou um aumento.

Segundo António Serrano, no Centro Hospitalar do Médio Tejo regista-se mesmo uma redução da atividade dos cuidados de saúde, superior a nível nacional, e por outro lado a necessidade de melhoria das condições de acesso, "é preciso perceber o que deverá ser corrigido, para melhorar as condições de acesso aos cuidados", afirmou.

São aspetos que se conjugam com a melhoria dos transportes, mas "agora com a introdução de portagens ocorreu um agravamento na mobilidade dos cidadãos entre as várias unidades, o que provoca um grande desgaste em toda a população", o que é traduzido em muitas queixas dos utentes e com diversas manifestações.
Os deputados promoveram encontros com a Comissão de Saúde e Assembleia Municipal de Tomar, com a Comissão de Utentes do Médio Tejo e com a administração do Hospital de Nª. Sª. da Graça de Tomar.
Segundo o porta-voz desta visita do PS, o hospital mostrou-se sensibilizado em corrigir alguns dos aspetos que estão ao seu alcance, "desde que compatíveis com a consolidação das contas de gestão", a que estão obrigados.
Aqui entronca uma grande preocupação, de resto comum a todos os hospitais, com a Lei dos Compromissos que a Assembleia da República aprovou, por proposta da maioria que apoia o Governo, "leva ao estrangulamento completo deste Centro Hospitalar, que a partir do mês de Agosto não deverá ter meios financeiros para continuar a atividade, essa é a maior preocupação que levamos desta reunião".
Para o anterior Ministro da Agricultura, "a Lei dos Compromissos não é exequível, impede mesmo os hospitais de funcionar, para adquirir medicamentos e material de consumo clínico, e não haverá dinheiro para nada. Será um problema que o Governo tem de resolver", acrescenta.
São dois problemas centrais, um de natureza financeira que de resto vai agravando o défice do hospital que não possui contrato programa assinado e as receitas geradas são inferiores ao que deveria ter, e por outro lado um problema de acesso.
São aspetos que estão a contribuir para "a degradação do Serviço Nacional de Saúde, que poderá ficar em causa, com maiores reflexos no interior no país", como é o exemplo desta região.

Os problemas são idênticos nas regiões do interior, "a falta de recursos médicos, com dependência de serviços privados, e até a greve anunciada deverá ter aqui pouco impacto, porque grande parte destes serviços são assegurados por empresas que não fazem greve".
Uma situação que classificou de caricata "mas que é bem o retrato e o espelho da situação a que o SNS está a chegar".
Estas são razões objetivas de preocupação que vão continuar a ser transmitidas pelo Partido Socialista, a população tem contestado a reorganização dos serviços do Médio Tejo, que envolve ainda os Hospitais de Torres Novas e Abrantes, uma boa intenção na sua génese, racionalizar e reorganizar, mas no terreno não se poderá colocar em causa o respetivo acesso dos utentes, nomeadamente dos mais idosos.
Entretanto foi considerada importante como trabalho de base, a petição que deu entrada na Assembleia da República para discutir a reorganização dos cuidados de saúde nesta região.
Estas preocupações de falta de recursos humanos e financeiros e reorganização dos serviços no Médio Tejo, que possui uma grande capacidade instalada, irão reforçar outras questões do sector da saúde, a debater no Estado da Nação.